A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Águeda acompanhou 310 processos ao longo de 2025, segundo o relatório anual apresentado pelo presidente da estrutura, Alexandre Oliveira, na última sessão da Assembleia Municipal. Cerca de 40% dos casos estão relacionados com contextos de violência doméstica, um dos problemas “mais persistentes” no concelho.
Durante a apresentação, Alexandre Oliveira alertou também para o aumento de situações de violência entre jovens, quer em contexto escolar quer fora dele, muitas vezes desencadeadas por conflitos considerados menores que rapidamente evoluem para confrontos físicos.
Outro fenómeno que continua a marcar a atividade da CPCJ prende-se com conflitos parentais e processos de regulação das responsabilidades parentais, frequentemente associados a situações recorrentes de tensão familiar.
Entre os dados mais sensíveis destacados no relatório está ainda a referência ao número considerado preocupante de casos de abuso sexual de menores registados no concelho, um tema que motivou particular atenção durante a apresentação.
DESAFIOS DA MOBILIDADE MIGRATÓRIA
Alexandre Oliveira destacou também os desafios colocados pela mobilidade migratória no concelho, que recebe muitas famílias atraídas pelo tecido industrial local. Essa realidade tem originado situações de crianças que entram e saem do sistema escolar sem registo claro do seu destino.
Segundo explicou, cerca de uma dezena de crianças desapareceram das escolas durante o último ano, obrigando a CPCJ, escolas, GNR e outras entidades a desencadear processos de procura e verificação do paradeiro dos menores.
“Temos famílias que estão dois ou três anos em trânsito até conseguirem estabilizar e isso é muito difícil para as crianças”, explicou, sublinhando que estas mudanças frequentes podem ter impacto no desenvolvimento e na integração social dos mais novos.
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